sexta-feira, 27 de julho de 2007

Baboseiras

A propósito de eXtupidez, temos esta polémica entre o Presidente Alberto e as mulheres madeirenses, que já produziu uma pérola do pensamento contemporâneo Português. Diz uma deputada da Assembleia Regional, que o dever das mulheres madeirenses é, tão-somente, procriar...Talvez para povoar o território com réplicas da sua própria tacanhez e expandir ideias fascizóides pelo povo ignaro. Esta súbita preocupação pelo aborto só pode ter uma explicação. Depois da ameaça de bater com a porta e de todas as promessas impossíveis de cumprir que foram feitas para ganhar as últimas eleições, parece que o melhor é desviar as atenções de todos os problemas que assolam a Região. Deste modo, discute-se um facto consumado, a aplicação da lei da IVG, ao invés de se esmiuçar as contas do G. Regional, os problemas de desemprego que vão assolar a Madeira quando for preciso «emagrecer» o funcionalismo público, a pobreza encoberta e todos os outros detalhes que vão fazendo da Autonomia Madeirense uma pálida figura do que é a Europa do séc.XXI. Nós, os eXtúpidos, temos uma outra teoria para este comportamento, mais rebuscada mas nem por isso menos interessante. Com o progressivo desaparecimento do turismo de qualidade das ruas do Funchal e a sua substituição pelas hordas mais ou menos bárbaras, a fúria alcatroante expandiu-se e atingiu o próprio coração da ilha sob a forma de muitos e variados túneis que vieram tornar obsoletos os antigos «furados», que escavados na rocha à força de golpes de picareta davam um ar pitoresco à rede viária regional. Ora, essa modernização de métodos construtivos, nem sempre acompanhada das melhores soluções de engenharia e planificação, trouxe consigo uma facilidade inaudita na perfuração da rocha dura que parece ter impressionado profundamente algumas pessoas. Não tendo pretensões de perceber a mente humana, mas não resistindo a fazer uma análise Freudiana a estes comportamentos, eu diria que esta obsessão com o aborto e o esforço pungente em transformar a Madeira num queijo Suíço, só pode ter a sua raiz num processo impresso nas profundezas da imaginação e revela carências de raiz sexual que vão além do entendimento do homem comum. Mas, como não sou entendido na matéria, vou abster-me de tentar compreender essa fúria abortiva que por estes dias infesta a cabeça de alguns políticos. Em suma, as leis da República não se aplicam às regiões autónomas, nada se pode fazer a esse respeito, e temos de aturar estas baboseiras. É pena, porque parece que os eXtúpidos, afinal, não somos nós.

Sem comentários:

Enviar um comentário